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Quem poderá dizer quem vai ou não?

     A primeira família que atendi como terapeuta, acompanhada de uma colega e dos professores/orientadores, era formada por pais e três filhos. A criança mais nova era uma menina trans e quando esse tema surgiu no setting terapêutico (e não foi por isso que eles foram à terapia), ela, com 9 anos de idade, numa determinada conversa a respeito do menino que ela tinha sido, disse assim: “ah aquele outro lá?”. A experiência de ouvir essa frase foi uma das coisas mais lindas, mais sábias, mais potentes e até hoje me emociona pensar que num ambiente de amor e legitimação (e acompanhamento adequado), essa criança teve a oportunidade de se desconstruir e se construir. Isso ficou evidente na sua linguagem, afinal é por ela, pela linguagem, que somos construídos e reconstruídos.      Essa experiência foi tão determinante pra mim que é uma das passagens que compõem a minha monografia de conclusão de curso e sempre que conto sobre esse momento, eu me emociono até na r...

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